quinta-feira, 19 de junho de 2008

Saudação a Álvaro de Campos.

dezoito de junho de dois mil e oito, no País que não sabe sentir.

Hêi-o-o-o-Hêi-Éiah!

Daqui te saúdo irmão cosmopolita, internacional e cósmico do futurismo!
Daqui te abraço, Álvaro, abraço-te mesmo que saibamos não existir!

Abraço-te, irmão de todas as sensações mundanas, esotéricas e infinitas, irmão das sensações
que nos escapam a todos os segundos de todos os dias, desde que um qualquer Deus
nos largou aqui, sem nenhuma indicação! Sem a nossa autorização!
Partilho contigo, mesmo que sejas ninguém, e mesmo que eu seja ninguém,
todas as náuseas, todos os sonhos, todos as sensações
com-liberdade-de-nos-fugirem! Mesmo que sejamos ninguém!

Tenho frio e calor! Tremo não-sei-de-quê!
Ah! angústia de todas as formalidades que nos abraçam sem querermos.

Entram-me pela cabeça a dentro, do caixote de imagens pérfidas e ignóbeis,
a Irlanda, a Irlanda, Meu Deus!
Ouve-me, irmão, onde é a Irlanda? Para que quero eu saber da Irlanda?
Que me interessa o país mais católico dos países católicos?
Eu sou cristão, mas esqueci-me da fé!
Ah, angústia de todos os tratados,
de todos os sistemas,
de todas as filosofias, da formalidade horrenda da vida!

Brinco contigo, brinco onde não me ouves, mas sentes.
Sim, eu sei que me sentes, irmão na angústia,
pai no sentir, órfãos do sentido.
Brinquemos à Poesia, porque ela fica e nós somos nada, com ou sem todos os sonhos do Mundo!
Brinquemos de mãos dadas, ignorantes conscientes da perfídia da civilização!

Ah, anseio pelo dia em que sejamos todos máquinas...

Em que elas olhem por nós, e nós
olhemos para elas absurdamente inconscientes de nós e d´elas!
Absolutamente maquinais! Absolutamente rígidos!
Absolutamente frios!
Absurdamente absolutos! Absolutamente absurdos!
Infinitamente ignorantes, ignorantes para os gestos maquinais que fazemos sem sermos máquinas!

Bip-bip-bop-bing-bing


Leio as tuas odes, e sei que fui eu que as escrevi.
A minha mão invisível e supérflua guiou-te.
Eu sei-o, e tu também o sabes. Porque somos o mesmo. Somos o sussurro
um do outro, a eras de distância, a quilómetros de guerras, de velocidade,
de dinâmica, de ciências e mezinhas malucas!

( Ó irmão, quem me dera ser um fórmula um, um fórmula um na auto-estrada na vida, completamente despreocupado com os Stop´s, intensamente despreocupado com todas as formalidades aborrecidas,
cada vez mais longe de tudo, cada vez mais longe de mim.
Guiando, guiando febril, guiando apenas, Álvaro.
Ser a velocidade, ser a sensação. Sim, tu, só tu me percebes.)

Vruum-Vruum-Vruum

Percorrem-me imagens, sons estrondosos, guerras químicas, armas convencionais que sabem à vida
Guerras, guerras por democracia, guerras por simpatia,
acção, acção, sensação, cóleras, atentados e precipícios.

Pum-Pim-Sensações-Fera-Febre-Febre-Febre

E voos low-cost, e Londres-cidade-ferro, e a 5th Avenue, despreocupada e arrogante!
E crises petrolíferas, obscenamente aborrecidas, de homens dos negócios que não sabem o que é sentir!
Crises, crashs bolsistas, choques pós-modernos, Arte de pernas para o Ar! Éiah!
E McDonalds, fábricas de pessoas-máquinas, em febre de correrem sem saber porquê!

Febre e sorrisos de ardente necessidade de nada!
E Mtv´s, orgia louca de visões, bebedeira estupidamente fenomenal de globalizações,
de convenções, de sejamos o que Deus não quiser!
E digital television,
portable computer,
wireless connection!
So twenty-one century!

PUM!

Grito imortal, para todos os séculos que me faltam viver!
Sorvo a febre, sorvo a loucura, sorvo a morte, sorvo o amor!
E enlouqueço e ardo para a beleza horrenda e maquinal de tudo isto!

Eu sou o ferro, e tu és o ferro. Onde eu sou a sensação, tu és o clímax!
Onde és o fim, eu sou o teu início! Somos a civilização horrenda que adoramos!
Somos máquinas e estamos contentes com isso!
Máquinas!

Heia! Heia! Somos a vertigem! Heia!

Vem, Álvaro descobrir comigo, este Mundo que cantaste!
Dá-me a mão, meu pai, meu irmão, meu sentido!
Percorramos o Mundo, percorramos tudo, menos a nossa alma!
Dançemos, incessantemente, saltemos, pinote ante pinote,
até aos confins do sentido!

O Mundo é para se sentir todo de uma vez!


3 comentários:

ana luísa disse...

:O

a próxima geração que se prepare para estudar 'Alexandre Da Fonseca' na disciplina de Português, numa escrita que provavelmente irá ser considerada 'arcaica' !

és único alex !

bjinho *

Jorge Grave disse...

Pessoalmente considero GENIAL! :D

tou parvo da minha vida homem! nem ele o faria tão bem! (porque ainda n havia mtv so por isso :P joke)

Agora a sério! Tá Óptimo :) muito bom mesmo!

Cláudia Ribeiro disse...

Deixaste-me estupefacta :O

Muito bom mesmo! :O Acho que não consgio dizer mais :X

Beijinho :D *