terça-feira, 25 de março de 2008

Coragem.

Recito sozinho para mim, alguns poemas
de minha preferência,
às vezes.
Imagino a plateia, bebendo as minhas humildes palavras...
Sinto-me herói, estrela de televisão.
Mas sempre sozinho!
Horror, mostrar o que gosto de fazer alguém...
Não...
É só para mim.

(Que delícia observar a minha colega...
Como fala alto! Como lhe dão, todos, sem excepção, atenção! Como consegue ser ouvida por todos!
Fala sobre tudo. Sabe que a ouvem...)

E eu, quando faço daquelas ridículas apresentações orais...
Que horror!
A voz não me sai. A mão trémula, segurando o papel cábula.
Toda a gente nota o nervosismo que transpiro.
Porquê? Porquê?
"Não custa nada. Já os conheces..."
Eu sei! Eu sei...
Porquê?
Que arrepio. Pele de galinha.
A voz não me sai.
"Tens de aprender a colocar a voz."
Eu sei! Eu sei...
Não consigo. Falo para dentro. Falo para mim. Falo de dentro de uma caverna.
Parece que tento convencer-me do que já sei. Do que já sou.
"É para eles que tens de falar. "
É isso.
É para vocês que tenho de falar.
E vão-me ouvir!

(Que tristeza...
Uma pessoa, por vergonha, por falta de motivação, por qualquer motivo, à partida,

estúpido e insuficiente, não fazer o que gosta...)

Um comentário:

ana luísa disse...

não tenhas vergonha . sabes bem que não és o único da turma ...
a tua coragem é de diferente tipo ... 'acredita em ti'.

bjinho*