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terça-feira, 24 de junho de 2008

A rotina. (VI)

Para quê se cada dia é a repetição de si mesmo?

O mar de outrora hoje, sempre azul

sempre triste, sempre eterno...
As casas, as mesmas casas,
de mesmas cores, no paraíso

por entre azuis...


Olhares e veres as mesmas caras,
adivinhares o que te vão dizer...
É isto afinal o que é a rotina, por
entre gestos iguais, caras iguais,
frases, expressões, tudo! Tudo insanamente
igual.

Um viver sem ilusão.
Um esperar pelo não se sabe bem o quê.
Para que serve o sonho?
.........................................
Tudo o que quero
é estar sozinho, sem mim...

terça-feira, 17 de junho de 2008

A rotina. (V)

Sonho a vida da minha janela...
Ardem-me febres e ilusões.
O coração bate, e adormeçe. Ela
vive, e eu estou onde não há soluções.

O sono não vem. A televisão
enche-me de hipocrisias,
feita de medíocres de papelão
loucos de fantasias.

Que faço eu? A vida está lá fora...
........................................
Fugir, fugir, nunca voltar. Agora!

segunda-feira, 26 de maio de 2008

A rotina. (IV)

Dizem-nos ( e nós sabemos)
Que irá ser sempre mais ou menos,
assim.
Ninguém lhe resiste,
por entre sonhos, ideais, loucuras.
Um dia ( sabemo-lo todos)
Caímos nela. Seremos
nada mais do que existências
quotidianas, tributáveis, empedernidas
casadas e aborrecidas.
( Não o somos já?)

quarta-feira, 21 de maio de 2008

A rotina. (III)

Acordo. 7.29.
Estremeço e cambaleio.
O cheiro a descrença inunda o ar e entontece.

*
Vejo coisas. Que vejo eu
que mais ninguém vê?
Penso. Alguém gosta de pensar?
Ou é só trabalho, aborrecimento, chatice?
*
Um velho de pele escarlate, de olhos marinhos
perde-se nas cartas, na bisca, na batota...
Em que é que ele é diferente de mim, arrogante
incoerente, que espero um inteiro dia para me perder
no bilhar?
A Dona Alice, fiel Dona Alice.
Uma esforçada hora, de série pequena,
bola oito, branca no buraco, saca bola, bola posta, tabelas, snooker,
2.80€, inconsequentes dois euros e oitenta cêntimos.
Ó Dona Alice, traga mas é de lá as cervejas...
(Passa o tempo. Morre a gente.)
*
Não me consigo expressar. Desisto. Rendo-me.
Nunca mais ouvirão uma palavra de mim!
Nunca. Nunca. Nunca.
Três vezes. Como Deus quis.
*

Quem me fez assim?

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

A rotina. (II)

Ao companheiro de todas, e qualquer hora.

Os carros a passar, cheios de
caras estranhas ,
De olhares perdidos e fátuos, da pressa de chegar...
E nós, com rumo, desgovernados...

Vamos ao bilhar, deixai-nos estar...
Somos gente, não contente, não descontente, só e apenas gente.
Andamos com brio, de passos trocados...

Vamos só passar, deixai-nos estar...
Olhares portugueses em nossas faces.
Obrigados a ir, em passeios imaginados.

Passeios que nada dizem. "Olá. Como vão?", costumeira saudação.
Chegamos ao destino, em passos de desatino,
Da alma? Não sabemos, não queremos pensar...

Ao café de Dona Alice, casa da gente sem casa,
como todas enfrenta a velhice, aquela do espíritio
que vive contente, por se acostumar...

O velho da barba branca, o homem da pançuda barriga,
a cerveja na mão, as cartas, as damas, e nós e o bilhar,
A coscuvilhice da gentia gente, bola oito em frente...

O cenário mais que habitual, jogo ganho,
jogo perdido, empate de camaradas, até aí
A História se repete. Como é bom nada mudar...

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

A rotina.

Não quero, não!
Recuso a normalidade.
Ser rotineiro, usual?
Não é aí que está a verdade.

Ser feliz é ter sustento!
Ser feliz é ter casamento!
Ser feliz é normalidade!
(Muitos serão felizes...)

Mas, ser maior é ter poesia,
Em cada pensamento...