terça-feira, 20 de janeiro de 2009

One of those days
you get nothing done
One of those days
you feel like shooting a gun

One of those days
that your energy is on a new low
One of those days
where it only rains on your window

One of those days
that you fell like a joke
One of those days
you would talk French for a smoke

One of those days
you have forgotten to dream
One of those days
you can not even scream

One of those days
you don't want to hear her sing
One of those days
that you are no living thing

One of these days...

domingo, 11 de janeiro de 2009

A uma mosca estúpida.

A mosca voou
uma, duas, três,
um infinitamente irritante
número de vezes,
contra o candeeiro
atráida pela sua luz.

Que mosca estúpida.

(Não seremos todos
moscas, a voar perdidos,
eternamente aos encontrões,
irritados, atraídos por um
ideal brilhante
que não sabemos que
fundo guarda?)

Que humanos estúpidos,
pensará ela...

sábado, 3 de janeiro de 2009

In your tongue.

E pronto, visto que isto dos blogs começa a dar-me mais e mais "rush", aqui fica mais um blog que, espero, apresente muitos, bons e diversificados textos nas quatro Línguas que fazem parte do meu curso - Alemão, Espanhol, Francês e Inglês - e respectivas traduções.

Como sempre, a porta fica mais que aberta para colaborações ou pedidos.

In your tongue.


quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Ano Novo.

Ficção de que começa alguma cousa!
Nada começa: tudo continua.
Na fluída e incerta essência misteriosa
Da vida, flui em sombra a água nua.

Curvas do rio escondem só movimento.
O mesmo rio flui onde se vê.
Começar só começa em pensamento.


Fernando Pessoa.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Ode ao dia feliz.

Hoje vou escrever - porque não? - de estar feliz.
Os meus textos nos demais dias são tristes,
depressivos e, pior que tudo, enfadonhos.

Hoje sinto-me com vontade de amar todo o mundo
e de sorrir dos meus gostos estranhos.
Hoje vou agraciar o meu gato chato,
o meu chato gato que mia como se
amanhã não houvesse um novo ano.

Hoje vou esquecer a crise,
as notícias deprimentes,
e vou correr por toda a chuva
a gritar-lhe, a ofendê-la,
e ao mesmo tempo, a indulta-la
por não mais me entristecer.

Hoje não me vou importar
com o tempo dado por inútil
e vou recolher todo o passado
num copo que beberei dum só trago.

Hoje vou agradecer por estar vivo
e por ser o que em mim vivi.
Hoje vou passear como quem nasce.
Hoje vou sentir, ver, respirar.

Hoje vou amar o outro,
como se fosse eu mesmo.

Hoje, nem que seja só hoje,
vou dizer que te amo
quando me olhar ao espelho.

Passagem de Emile Henri.

Era no tempo da palavra papel
da pluma bem comida lançando ideias de justiça aos chineses
da espingarda de ar podre ao ombro de cada um

Depois de ver com os seus próprios olhos como é que o ratazana
toma o seu cházinho
Emile Henri
escritor da literatura da dinamite
lança a segunda bomba à porta do Café Términus
dado que: da má distribuição da riqueza e das coisas boas da Terra
TODOS SEM EXCEPÇÃO TÊM MÁXIMA CULPA


Mário Cesariny.

[É importante foder ( ou não foder)?]

É importante foder( ou não foder)?
É evidente que não, não é importante.
Fode quem fode e não fode quem não quer.
Com isso ninguém tem nada
Mas mesmo nada
A ver.

O que um tanto me tolhe é não poder confiar
Numa coisa que estica e depois encolhe,
Uma coisa que é mole e se põe a endurar e
A dilatar a dilatar
Até não se poder nem deixar andar
Para depois se sumir
E dar vontade de rir e d´ir urinar.

Isso eu quis dizer naquele verso louco que tenho ao pé:
«O amor é um sono que chega para o pouco ser que se é»
Verso que, como sempre, terá ficado por perceber( por mim até).
.............................................................................
Também aquela do «outrora-agora» e do «ah poder ser tu sendo
eu» foi um bom trabalho
Para continuar tudo co´a cara de caralho
Que todos já tinham e vão continuar a ter
Antes durante e depois de morrer.

Mário Cesariny. ( Toma lá um Cesariny)

Migração.

Ah
não me venham dizer
oh
não quero saber
ah
quem me dera esquecer

Só e incerto é que o poema é aberto
e a Palavra flui inesgotável!


Mário Cesariny. ( a prenda de Natal)

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Paradoxo.

Viver para provar a inutilidade de qualquer acção humana.

Parvoíce.

Tenho tantas ideias...
Ó cérebro maldito
Porque me odeias
Se só te peço o infinito?

sábado, 29 de novembro de 2008

Casino.

No casino, o dinheiro rola ao ritmo da Sorte...
Jogador, nada neste Mundo é sorte!
-Jogador, jogando a tua vida até à morte...

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Resultado nenhum.

Queixas de um utente

Pago os meus impostos, separo
o lixo, já não vejo televisão
há cinco meses, todos os dias
rezo pelo menos duas horas
com um livro nos joelhos,
nunca falho uma visita à família,
utilizo sempre os transportes
públicos, raramente me esqueço
de deixar água fresca no prato
do gato, tento ser correcto
com os meus vizinhos e não cuspo
na sombra dos outros.

Já não me lembro se o médico
me disse ser esta receita a indicada
para salvar o mundo ou apenas
ser feliz. Seja como for,
não estou a ver resultado nenhum.

José Manuel Silva
.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Não sabem eles o quanto me irrita ser-me.
Diz-lhes que não os queres para ti.
Esquece-te da hipocrisia.
Ensina-os a despir a máscara.
Não te juntes a eles.

-Cansas-me.

Um dia, mostraremos que não é por gritar mais alto, que somos melhores e mais nobres que todos os outros.

Caloiro da Faculdade de Letras do Porto.
08/09

domingo, 12 de outubro de 2008

O bem é cinzento.

Queres gozar com todo o Mundo?
Mostrar-lhes como estão errados?
Como são fúteis, inferioridades que não atingem a verdade suprema. A tua.
Sabes, eu olho por ti. E tenho-te pena.
Não sabes tu que ninguém está bem nem mal?
Que vamos estando.
Que vamos julgando saber o que fazemos,
escondendo o facto de estarmos mais e mais perdidos,
mais e mais imersos na escuridão e no vazio.
Não, não nos julgues. Como podes tu julgar-nos?
A sessão ainda mal começou

e o tribunal só decide no final.
Não finjas estar bem, saber o que fazes,
ser, sei lá, feliz... Não!
O mal somos nós que o fazemos. E o bem
é cinzento, e cada vez mais escuro.

sábado, 11 de outubro de 2008

Travessa da Pena.

-Anoitece no Porto e em mim.
As gaivotas ecoam pelos ares, acompanhando
o murmúrio longínquo do rio.
Reles, contemplo os cadáveres sumiços.

Porque é que falamos do que não
temos força para fazer?
Porque é que não dizemos o que
só pode ser escrito?

Quero fazer. E calar as gaivotas até ao infinito.

Saber é tanto uma prisão, como
um contentamento, mas leve, sempre leve
que nos prende, impiedoso como a chuva
de Novembro.

Elas voam, voam para longe de mim.
Cansado de nascença, triste de tudo,
infinitamente complexo, estapafúrdio.


Quero cantar as minhas letras,
congelar o tempo, o Mundo, a relatividade.

-Se ao menos me perdesse sem jamais me encontrar
nos teus olhos. Mas tu sabes, tão bem quanto eu,
não existir.

(Não existes, desistes.)

Escrever, vão egoísmo.
Palavras, como as gaivotas, larguem-me,
não se calem, nem me regressem.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Languidez.

Não há nada que me faça pegar a caneta
Não há nada que me faça sonhar
Todo o poema é mau feto em tubo proveta
e eu, poeta do Mundo a acabar.

Quadra a João de Deus.

De Deus te fizeram
De Deus nasceste
De Ele mesmo te deram
a luz que nos acendeste.

domingo, 5 de outubro de 2008

A pausa

foi devida, tipo, a cenas...

Fingidor.

Será que não te vou levar
comigo, na viagem de que não podemos fugir?
Diz-me que não, diz-me que talvez,
diz-me tudo. E esquece-te de ti.

Não, não podemos estar um sem o outro.
Tu sabe-lo, diz-me que o sabes.
O que se passou? Não me deste a mão
durante tanto tempo...

Será que tudo se repete, e o meu filme
é ser vazio, estranho, a gota de chuva
no dia mais límpido de Verão?

Não me dás a tua mão há tanto tempo.
Lembras-te...? Talvez não. Talvez vivas só dia-a-dia,
e esqueças que o teu destino sou eu.