quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Ode ao dia feliz.

Hoje vou escrever - porque não? - de estar feliz.
Os meus textos nos demais dias são tristes,
depressivos e, pior que tudo, enfadonhos.

Hoje sinto-me com vontade de amar todo o mundo
e de sorrir dos meus gostos estranhos.
Hoje vou agraciar o meu gato chato,
o meu chato gato que mia como se
amanhã não houvesse um novo ano.

Hoje vou esquecer a crise,
as notícias deprimentes,
e vou correr por toda a chuva
a gritar-lhe, a ofendê-la,
e ao mesmo tempo, a indulta-la
por não mais me entristecer.

Hoje não me vou importar
com o tempo dado por inútil
e vou recolher todo o passado
num copo que beberei dum só trago.

Hoje vou agradecer por estar vivo
e por ser o que em mim vivi.
Hoje vou passear como quem nasce.
Hoje vou sentir, ver, respirar.

Hoje vou amar o outro,
como se fosse eu mesmo.

Hoje, nem que seja só hoje,
vou dizer que te amo
quando me olhar ao espelho.