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segunda-feira, 5 de maio de 2008

Amigo.

Amigo é ter toda a confiança do Mundo,
numa única pessoa que nos acompanha.
Amigo, o que nos elogia em qualquer façanha,
e que sabe o nosso sentir mais profundo.

Amigo, amizade é o que nos enobrece.
Amigo, é mágico poder ter-te comigo.
Amigo, é bom saber-te um meu abrigo.
Mas sabes, tudo passa, tudo se esquece...

Amigo, amar também é esquecer.
Esquecer, para avançar e fazer viver.
Esquecer, e continuar imenso na solidão.

Amigo, sei-o bem, viver é lembrar.
Mas companheiro, mais preciso é saber avançar,
Para que assim todos descubram o que são...

domingo, 4 de maio de 2008

Infinitamente, a rotina.

Estou perdido em mais uma outra aula
Incógnita, e tão infinitamente chata...
De sentimentos guardados numa mala,
À espera que esta melancolia se abata.

Escrevo, desabafando não sei para quê.
Arde-me o pensar, de louca impaciência.
Tudo me tarda, e já nem pergunto porquê.
Tudo tragicamente me sabe a impotência...

Sim, bem sei, "para ser grande sê inteiro".
Mas inteiro sou só intensamente de nada.
Não me reconheço. E perco-me nesta colossal Babel...


Guardando os pensamentos num mealheiro,
onde só a tristeza é sadicamente lembrada
em injustos e mesquinhos desabafos de papel.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Sinto-me uma enorme e trágica repetição
de outros tortuosos e tristes modelos.
Sou apenas pensamentos em ebulição.
Projectos? Nem em sonhos consigo tê-los...

Tudo gira, tudo passa, o Mundo avança,
Na Terra redonda, de um sonho de Galileu.
Avança feito de sonhos, numa louca dança
Onde me perco e pergunto -"O que sou eu?"

Não me sei. Um projecto ou um sonho?
Nada me salva destes pensamentos,
(Nem filosofia, nem técnica, nem ciência...)

Talvez fosse melhor que- e apenas suponho-
Reconhecesse, sem me desfalecer em lamentos!
que sou do tamanho da minha impotência...

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Ao olhar para um enorme e redonda nuvem
Redonda de um branco que me promete sonhos
Dou comigo a pensar no conceito de mal e bem,
E em todos os conflitos trágicos e medonhos.

Quem dera ser tudo tão simples, tão modesto,
como esta nuvem de branco que contemplo...
Mas a fome, a guerra, e o dinheiro incesto,
brincam alados, neste nosso templo.

Templo onde oram falsos e vis profetas,
Profetas do ouro, da cobiça e da desgraça
Que tranquilizam mentes ingénuas e quietas.

Mas a nuvem persuade-me e faz-me acreditar.
Diz-me "Faz da esperança, a tua graça"
E eu acordo. E sonho querer sonhar...

terça-feira, 1 de abril de 2008

Que angústia. Ter que ser alguém.
Não sair do que é previsto.
Ser o que esperam de nós. Mal ou bem...

Não fugir do pouco que se é, disto..

Nada disso me satisfaz!

Não quero ser ladrão, nem campeão
Quero ir indo. Passar ledo e fugaz.
Fugindo de medo de qualquer obrigação!

E ser original, diferente.
Ser vanguardista, mais à frente.
(Sem precisar de ser exemplo...)

Quero ser e sentir tudo!
Quero ser e ter o Mundo!

(Mas oro num falso templo...)

Nunca fiz nada de especial valor
Desperdicei toda e qualquer oportunidade
Nunca senti verdadeiro calor,
nem sequer amei de verdade.

Sinto a vida a escorrer
Sinto-a fugir, escapar-se de mim.
E custa-me perceber,
o porquê de tudo ser fim...

Atormenta-me cada pensamento!
Ser pequeno, grande ou maior.
(Ah, ter que viver é tormento...)

E nada, nem ninguém me acalma.
Porque sei qual a maior dor.
A de viver sem sentir. Alma?

segunda-feira, 24 de março de 2008

Saudades daquele tempo
em que sorria, de louca e naive inocência.
Em que vivia, de falso contentamento.
Saudades de sentir amor, da adolescência!-

Quando viciámos, de doces sorrisos
Dos beijos -Como sabiam bem!
E dos olhares que trocávamos, sem juízos.
Tudo está agora, tão longe, tão aquém...

Tratávamo-nos por Amor.
Ter-te era o meu humilde dom...
E os desejos carnais, eram febril dor.

Mas estamos para sempre distantes.
E apenas consigo imaginar. Como seria bom
Se nos amasse-mos como dantes...

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Hoje sou isto, coisa ruim,
Coisa que não aquece, nem arrefece.
Coisa estranha, estúpida. Deixa-me. Esquece...
Quero desaparecer, para longe de mim...

Sinto-me sem me conseguir ser
Pior que para te dar não ter calor,
É ser um nada insosso, sem sabor...
E confessar-te que preciso de ti, para me esquecer...

E o meu querer-te, mente.
E o amar-te, sempre consciente.
Talvez não o seja um dia...

Meu desejo, loucura controlada.
Meu beijo, mera fachada.
Não ser eu. Era isso que queria.